Maternidade e vida profissional

Para quem é novo por aqui e ainda não sabe, sou Consultora do Sono, Educadora parental em Disciplina positiva e também atuo na minha profissão de origem: Gerente de projetos! E por ‘gerenciar projetos’, entrei de cabeça nos principais ‘projetos’ da minha vida: mundo infantil, educação infantil e maternidade. Por que não podemos ser mães e manter nossa vida profissional? Essa questão me moveu profundamente.

Como a sociedade ‘vende’ a ideia de que esta realidade tão comum não funciona, ou não é saudável, acabamos nos sabotando. A falsa crença alimentada diariamente nas redes sociais reforçando que somente nos anulando como mães seremos boas profissionais ou, ao contrário, nos anulando como profissionais seremos boas mães. E como exercer a profissão que eu amo? E como não ajudar em casa, se meu salário também é preciso?

Essa crença não me atendia, não me atende. E observei que dentre tantos desafios da maternidade, um deles era importante e (oba!) contornável: o sono! Se a maternidade não permite que você durma bem, como conseguir atender à demanda do filho e ainda sair para trabalhar? Tinha certeza que, principalmente privada do sono e sem saber aproveitar com qualidade os momentos com eles, não seria capaz de viver esses vários papéis! O sono direciona a rotina do filho, a palavra certa,  mais paciência e tranquilidade no dia a dia…

E a cada dia que passa, venho reforçando em mim uma única certeza: ser mãe não é se privar do que você é e sim, o equilíbrio! A mãe saudável emocionalmente é tudo o que um filho precisa. Seu filho dorme bem? Você consegue se conectar com ele? Então você tem tempo para você e para dormir bem também e vivenciar sua rotina com prazer. E maternidade não precisa de dedicação exclusiva, precisa sim de momentos exclusivos e de qualidade para vivenciarmos a maternidade!

Como fazer meu filho dormir?

Como fazer meu filho dormir a noite toda

O tão sonhado filho está a caminho e junto com a alegria, cada família cria seus questionamentos e inseguranças normais desta fase. Antes, a maior preocupação era conseguir engravidar. Depois, nos primeiros meses de vida do bebê, uma enorme ansiedade por saber se ele terá saúde e vida longa para conosco vivenciar tudo o que planejamos por tanto tempo. Esperamos tanto para ter nossos filhos que acumulamos vontades e sonhos, tornando os nove meses de espera em uma quase eternidade.

Estamos vivendo em uma sociedade de poucos filhos. E todos nós temos uma vida bastante atribulada, muitas atividades e pouco tempo para tantos planos. Quando nossos filhos nascem, percebemos que, por mais que busquemos nos entregar de corpo e alma, temos pouco tempo para ficar com eles. Quanta culpa! Como ser pais num mundo tão cheio de ocupações?

Antes, famílias de muitos filhos, mães dedicadas ao lar e pais autoritários e distantes. Hoje o retrato é outro: famílias inteiras debruçadas sobre o berço, admirando o bebê que acaba de nascer. Tão novinhos e já são o centro de tudo. A relação entre pais e filhos têm se transformado por completo, não lembrando nem de longe a relação ‘pais e filhos’ de algumas décadas atrás, dando a sensação que o filho pode tudo. E o relacionamento entre pais também está se transformando com os anos.

O grande ponto que transforma esta nova relação, é: “Como ter rotina, disciplina e ‘nãos’, se temos tão pouco tempo para curtir nossos filhos?” Se um dos pais abandona a carreira para cuidar do filho, o mesmo questionamento: “Não preciso de rotina e disciplina, afinal tenho todo o tempo do mundo!”

Seja qual for a situação, uma inocente e apaixonada entrega (por algumas horas ou um dia inteiro), tem transformado a relação entre pais e filhos numa relação de amizade, quase sem título, sem objetivo, impedindo que algumas habilidades sejam desenvolvidas nos filhos, dentre elas, autonomia: a capacidade de dormirem sozinhos e ter qualidade de sono desde a fase de recém nascido.

Como a vontade de agradar é o foco, não há porque dar abertura a situações difíceis. A comunicação primária do filho, o choro, chega a ser torturante para os pais. Impedem que seus filhos vivenciem frustrações: “Não, não tem porque sofrer, estou aqui para tudo resolver” e se doam, se entregam. O foco não é somente o filho e seu bem-estar, mas também sua completa felicidade. É visto tão de perto que tudo o que o circunda se embaça. Só existe consolo: “Não chore, eu te faço dormir”, “não chore, coma o que gosta”, “não chore, eu compro o que você deseja”!

E assim, há exatamente uma década, surge a profissão de consultoria do sono. Sinal de que o problema com o sono dos filhos é tão recente quanto este novo contexto. Os pais desejam ser onipresentes e não conseguem. Os filhos desejam conviver mais com os pais, ter uma relação de vínculo, mas a correria do dia a dia os afasta. Os bebês acabam encontrando o horário noturno como oportunidade em estar ao lado dos pais, e os pais, sem perceberem, não propiciam esse momento de qualidade com os filhos, e com a culpa, acreditam que durante a noite acabam por estruturar uma relação de vínculo.  O que na verdade ocorre é que impedem que os filhos desenvolvam algumas capacidades, dentre elas, sua relação pacífica com o sono e não constroem a relação de vínculo que tanto aspiram. O sonho dos pais passa a ser que o bebê tenha sono de qualidade, possa propiciar uma noite inteira de paz e um dia de harmonia para a família. O que não podemos esquecer é que essa boa noite de sono depende da relação de segurança que nossos filhos constroem em relação aos pais ou cuidadores.

E se os filhos não dormem sozinhos, despertam milhares de vezes durante a noite, surge a privação do sono dos pais. Esta privação tem sido realidade não somente nos primeiros meses de vida dos bebês, mas por anos. Uma demanda desenhada pelos próprios pais. E muitos confessam que seu filho dormia a noite inteira e que por alguma mudança na rotina e no comportamento da família ninguém mais consegue ter uma boa noite de sono. Acredite, o sono pode mudar e muito a qualidade do dia a dia de todos em uma casa. Mude a relação que constrói com seu bebê!

Como Consultora do Sono, vivenciando a realidade de centenas de famílias nos últimos anos, sugiro que nós pais, façamos pequenos ajustes na nossa rotina, no tempo exclusivo aos nossos filhos, e não somente na rotina do bebê, da alimentação e da casa. Aos poucos, retomem a essência da paternidade. Deixemos de lado o celular por alguns instantes, precisamos garantir um tempo exclusivo à eles. Tenham tempo para o casal, para fazer o que gostam, ou até mesmo para prazeres sem companhia. O importante é estarmos bem para podermos estar bem com nossos filhos! Desta forma, serão filhos menos dependentes, mais autônomos e, como consequência, essa tranqüilidade os permite manter esse tempo para vocês. Permitam que os filhos brinquem podendo trocar olhares com vocês, que tenham tempo livre com vocês! Que o colo seja um meio de acalmá-los, não o berço. Estimulem esta capacidade, entendam que a dependência não é o símbolo da relação pai-filho e sim o vínculo. A velha frase “os filhos são criados para o mundo”, faz sentido quando nossa conexão com nossos filhos existem, independente de onde estejam.

Nosso papel é prepará-los para a vida, vivenciar com eles as dificuldades, apontar o norte e nos entusiasmar ao conhecer suas habilidades para resolver seus problemas. Vamos permitir que se desenvolvam por completo. Libertem seus filhos do colo, do carrinho, do balanço. Permitam que corram, que achem seu lugar na cama, no mundo! Sabendo que tem vocês sempre que precisarem. Não como uma dependência, mas por desejo!

E enquanto seus filhos dormem, sejam bem-vindos de volta às suas 8 horas de sono!

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